There is a man in the woods


TEXTO DE: MARÇO, 2016 >

O filme é de Jacob Streilein, o impulsionador das dificuldades passadas pelo protagonista, um professor de ensino infantil, é Sid... ou... não. Não? Não. ----Narrado em primeira pessoa, o filme nos entrega uma narrativa tendenciosa, unilateral, com excessiva carga de ódio e de saudosismo. Ele realmente era um professor perfeito. Mas Sid... ó Sid. Sid causou problemas sérios no psicológico de seu professor; Sid foi criado para ser o vilão da narrativa – ou aparentar –, com seus traços físicos alongados, seus olhos de tamanhos diferentes e... bem, seus cabelos pretos e pele pálida, claro... quem confiaria em um garoto branquela de cabelos bem pretos? Basta lembrar... em grandes romances, nossos belos protagonistas eram de esbeltos cabelos loiros, angelicais, com seus olhos claros e doces... mas... aqueles que lhes causavam mal eram magricelas, de cabelos pretos, olhos desconfiados. A quem Sid se assemelha? Pois é, Sid, garotinho malvado que, aos olhos do protagonista, praticamente criou um exército de crianças que seguiam o que ele dizia.

Mas, na realidade, onde está o erro de toda essa certeza de que Sid é um garotinho malvado? Exato. O filme é narrado em primeira pessoa.

O Professor, personagem sem nome, consegue nos cativar no início da narrativa, afinal, um professor tão exemplar... como ele poderia estar desempregado? Exemplar? Nos cativa? Sim, essa é uma das grandes e interessantes questões do filme. There is a man in the woods faz com que fiquemos comovidos com a atual situação do professor, até que ele começa a mostrar que não está apenas chateado e desempregado, mas sim desestruturado. A narrativa quebra nossa expectativa, fazendo com que toda aquela repulsa que desenvolvemos por Sid seja gradativamente transferida para o Professor; ao fim do filme ainda temos raiva de Sid, mas também temos raiva do professor... e é aí que nossos sentimentos se confundem e descobrimos que de fato a narrativa funcionou, pois não sabemos o que pensar, não sabemos em que acreditar.

A mise-en-scène é criada através de todos os elementos, o que é ótimo, pois isso mostra como o filme está em sintonia consigo mesmo, o que faz com que ele atinja o seu desejo, que é o de confundir o espectador. A realidade em que somos inseridos é uma realidade diferente daquela que estamos acostumados em histórias, o universo maniqueista. Dentro duma realidade maniqueista, Sid seria completamente mal, assim como o professor diz, ou o professor seria o mentiroso e seria o grande homem terrível da história. Mas, e se Sid provocou esse instinto ruim no professor que antes era bom? E se ele apenas precisa que Sid saia de seu caminho para ser feliz? Isso não é um mundo maniqueista, e está aí o nosso choque.

É interessante perceber como toda essa nossa quebra de espectativa e dualidade na conclusão dos fatos é construido em todos os segmentos da narrativa, pois a ilustração do filme corrobora para que esses sentimentos sejam produzidos, seja com a paleta de cores, que se altera no decorrer da narrativa – e isso é observado principalmente na pele do professor, conforme a narrativa se desenvolve, mais ele muda de cor, passando de nude para roxo –, seja pela deformação nas personagens que aumenta a medida que ele conta; por sinal, sobre este último, também podemos ressaltar que aquela característica do Sid de ser magricela, rosto fino e alongado também são características do professor, que são também características de vilões, o que é mais um ponto a se pensar nas dúvidas causadas pelo filme.

There is a man in the woods foi criado pelo diretor Jacob Streilen com o pretesto de que ele ouvira uma história de um homem no bosque da escola dele quando era pequeno, e na realidade foi invenção dos amigos de seu irmão mais velho, contudo, não queremos saber o pretesto do diretor ou o que o diretor diz ser verdade dentre as possibilidades abertas pelo filme. Na realidade, os únicos que sabem o que realmente aconteceu é o Professor e o Sid, o nosso único papel aqui é analisar a forma e o que ela nos proporciona. A verdade, nunca saberemos, e esse pensar sobre nos permite ter a certeza de que foi um filme bem feito. (Texto escrito para disciplina da faculdade)


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