A tendência dos trailers de Super-Heróis com uma música completa

O trailer de Logan saiu dia 20 de Outubro. Uma franquia marcada por filmes que decepcionaram, hoje está com apostas muito positivas entre o grande público. O motivo é por menos de 2 minutos de trailer. Uma belíssima jogada, com uma única música do começo ao fim, Hurt de Johnny Cash. A música casou perfeitamente com a narrativa, Logan está "velho" e cansado, Professor Xavier já está próximo ao fim e o peso de estar prestes a ver a morte de seu grande amigo, assim como todas as mortes que ele já viu, coloca o desespero da vida "eterna" de Logan; Hurt conta exatamente isso, um homem cansado, um homem próximo do fim, afinal, foi escrita nos últimos anos de Cash. Novamente, uma jogada e tanto.
Mas Logan não foi o único lançamento dessa linha esta semana, houve o tão esperado Volume 2 da fita k7 que conquistou a todos, Guardiões da Galaxia. O trailer trouxe a trilha sonora clássica do filme, Hooked on a Feeling, lançada em 1974 pela banda Blue Swede, mas que foi muito procurada no lançamento do filme, assim como todas as demais músicas do filme. Dessa vez, diferente do trailer do primeiro filme, a música chegou desde o início do vídeo, outra jogada incrível, pois foi assim que eles deram o gosto de "quero mais" no público. Abaixo eu deixo o trailer do primeiro e do segundo filme, para vocês poderem comparar como a música era muito mais singela no trailer do primeiro filme.
Quando Esquadrão Suicida lançou o trailer com a música Bohemian Rhapsody do Queen - talvez a única coisa boa envolvendo o filme -, o vídeo tomou um corpo incrível, pois enquanto estávamos empolgadíssimos com a música, víamos ação+ação+ação e foi ótimo. Podemos dizer que foi graças a esse trailer que essa proposta de fazer trailers com a música completa e, principalmente, músicas conhecidas, veio com tudo.
Porém, quando vejo esses trailers, tenho alguns pontos para levantar e enumerarei eles:

1. Eles são video-clipes das músicas ou são "curtas" metragens?
2. Esquadrão não foi o pioneiro nisso, ele apenas trouxe um Q a mais nessa técnica
3. Vale tanto a pena seguir essa ideia para trailers daqui para frente?

Para o primeiro questionamento, eu trago uma discussão que existe desde a época dos clipes do Michael Jackson, como T;;hriller e Smooth Criminal, seriam esses clipes, clipes mesmo ou Michael fez curtas metragens? Michael foi o pioneiro no negócio e, na época, "estava claro" que era um video-clipe, mas na realidade, não, não estava claro. A questão é que a linha entre video-clipe e curta metragem é uma linha tênue e praticamente não dá para ser definida, basicamente a obra será um video-clipe ou um curta metragem quando os "donos" - obra tem dono? Isso fica para próxima - disserem que é um ou outro. 

No caso dos trailers, é claro o que eles são trailers. São fragmentos de um filme e estão sendo apresentados com uma das músicas da trilha-sonora. Essa ideia é muito interessante pois une duas propostas, a ideia de ser personagens já conhecidos e que agora estão sendo retratados no cinema e a música que já é conhecimento da massa, ou seja, é cultura pop pura. Um exemplo disso é que Guardiões só sentiu essa liberdade no segundo filme, pois o seu de estreia foi um sucesso e o público amou aqueles personagens. É uma estrategia simples de familiarização da história, isso geralmente acontece quando são personagens - sejam únicos, como os heróis, ou esteriótipos, como Adam Sandler, comedias de colegial, terror com bruxas más, donzelas, etc - que já foram apresentados para nós, seja nos cinemas ou em nossa cultura em geral. E esssa foi a sacada de Esquadrão, trouxe uma música popular entre as massas e apresentou seus personagens, que já estavam sendo apresentados em trailers anteriores e em outros veículos de comunicação - além das HQs - e uniu ambos para dar esse "gostinho de quero" - novamente, que foi a única coisa boa do filme.

Agora, vale a pena fazer isso para sempre e sempre? Não, sem dúvida alguma não. Nós já passamos por vários momentos de trailers, os atuais, blockbusters geralmente nos contam todo o filme dentro do trailer, o que é um verdadeiro tiro no pé, mas para uma produção industrial, talvez seja a coisa mais rápida a se fazer; eles apenas tomam mais "cuidado" quando são filmes que realmente tem um pé fora da linha de produção em massa e eles vêem possibilidade de ganhar um pouco mais de dinheiro neles, como o trailer de Watchmen por exemplo, que, por sinal, também tem uma música no trailer que acompanha do início ao fim, mas ela não é algo que fica evidente, ao contrário, o ponto fora da curva do Watchmen é que eles não contaram o filme todo, apenas apresentaram um pouco do filme, sem criar uma linha muito narrativa, o que é muito bom. Vale pensar que essa estratégia de "pensar" mais no trailer é uma característica de diretores mais "autores", muito comum no cinema cult e também no meanstream. 

O que eu sou a favor é que os trailers sejam mais bem cuidados, que não mostrem só as melhores partes do filme, e que sejam mais valorizados como material. Linhas narrativas dentro dos trailers são interessantes, mas não quando sabemos tudo o que vai acontecer no filme, o trailer é para dar a vontade de assistir, não para saber já a história, porque isso só mostra que a história é rasa. Se isso vai ser feito com uma música impactante como Hurt ou com um compilado de trilhas ou até mesmo sem trilha, eu não sei, mas trailers devem ser mais bem cuidados do que são atualmente.


Nenhum comentário:

Tecnologia do Blogger.