A honestidade de La La Land e como minha vida é um filme clichê


O lugar em que falarei do filme como produto cinematográfico será no vídeo que - assim que lançado - ficará lincado aí embaixo. Esse texto é para falar da mensagem que esse filme passa... e de como nitidamente minha cabeça e minha vida não fazem parte da honestidade dura do dia-a-dia real.

La La Land tem um casal maravilhoso uma trama muito bem pensada. A energia do início da vida adulta. Do fracasso. Dos sonhos. Da determinação. Da paixão. E dos caminhos seguindo sem ter por perto aquele que imaginávamos. La La Land tem uma honestidade que normalmente musicais não tem. Temos o lúdico. O fantástico. Mas a quebra de tudo isso para mostrar a realidade do mundo. Do seguir em frente. Apaixonante.

Mas foi com La La Land que dei conta de algo... eu não me senti representada com um filme que trata a vida com realidade e que decidiu ser honesto com o espectador. Essa honestidade se resume em: você não vai ficar junto daquela pessoa que você jurou amar... mesmo que ame! Você não jogará tudo para o alto e ficará com ele(a), pois você seguiu sua vida e você já é adulto. Ser adulto é ter a responsabilidade de não dizer “acabou” para alguém do seu lado, simplesmente porque você reencontrou um amor antigo. Amores podem ser superados... você sempre sobreviverá a uma fossa.

Não para mim. E é aí que me dou conta que eu sou sim aquela que terminaria por uma paixão louca. Que iria embora para viver um amor antigo. E que com certeza faria cenas clichês em filmes, mas nada clichês na vida real. Nunca tive muita noção de como destoo das pessoas (e não,não acho que isso me faça “especial”, mas sim uma pessoa esquisita), porém, o tempo passa e você vê como o mundo não entende a sua existência e o seu modo de enxergar a vida.

Sempre me encontrei em filmes românticos com finais felizes em que aquelas pessoas fazem tudo para estar ao lado do seu grande amor... musicais em que cantamos o nosso amor pela outra pessoa debaixo de chuva sem ligar para o que irão pensar. “Você já fez isso?” Já. Claro que já! Eu sou aquela personagem do musical que olha uma formiga e começa a cantar uma música sem sentido mas que na hora dá todo um charme. Sim. COM CERTEZA eu sou essa pessoa.

Holly, de Bonequinha de Luxo, sempre me definiu tão bem... e eu posso dizer que ela existe! E eu não acho que eu seja a única a ter realmente – releia, REALMENTE – esse tipo de atitude esquisita... só é mais difícil de encontrar pessoas assim. Até porque pessoas se cansam de nós... e ser sentimental como um musical da Broadway é um pouco desgastante, confesso.

A questão é que o que foi honesto para muita gente, o que fez pessoas suspirarem e pensarem em seus antigos amores quando saíram do cinema de mãos dadas com uma pessoa que nunca pensaram em estar, não contemplou meu coração. A verdade é, inúmeras pessoas se viram como o casal principal, lembrando de alguém que foi o seu par romântico, mas foram assistir ao filme com o homem com o qual a Mia casou, ou sozinhos como o Sebastian. Deu para entender? Aquele por quem pensamos durante o filme não estava ao lado assistindo o filme... e por isso houve a identificação. E por isso não houve a MINHA identificação...

Ficar sem a pessoa que eu amo nunca é uma opção para mim. Se eu amo, se eu estou apaixonada, não importa quanto eu mova, o quanto eu batalhe, meus sonhos e meus amores sempre são minha primeira opção. Sou uma cineasta (ui) de um filme romântico clichê que alcança o que sonha e consegue continuar com a pessoa que ama. Chato né? Que bom que eu não acho... pois diferente dos filmes, dizer adeus é uma escolha mais fácil, porque ficamos na fossa e aí passa. Lutar por algo que o mundo diz não mas você diz sim é realmente a graça.

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