Is this the life we really want? - Roger Waters


Roger Waters, ex-baixista e vocalista do Pink Floyd, saiu da banda com o album The Final Cut, após isso ele começou a se dedicar à carreira solo. Nessa carreira, ele lançou 8 CD's, incluindo ao vivos... IS THIS THE LIFE WE REALLY WANT? é o novo cd de Waters após um hiato de 12 anos... e que álbum é esse... sem palavras... mas tentarei trazer algumas para vocês aqui.

O álbum parece ter apenas começo e fim; as músicas funcionam bem separadamente, mas o negócio incrível é ouvi-lo em ordem para sentir o peso de cada música... se a premissa era tocar no fundo da alma, comigo ela alcançou incrivelmente bem.

Começando pela música When we were young que funciona muito bem para dar início aos questionamentos e assuntos que Waters trás em cada música. Ela é seguida pela Déjà Vu, música que foi lançada antes com o tema de "Se eu fosse Deus", e dentro desse tema ele aborda guerras, opressão e tristezas que estão em nossos dias na Terra. Logo após, temos The Last Refugee, e se você pensa na história da criança refugiada morta, você não está erradx, pois é uma relação direta, inclusive o clipe. Se esse não era um soco no estomago, Picture That vem com um ódio, relatando todas as merdas da sociedade, a proposta é você imaginar um mundo sem todas essas coisas que estragam nossas vidas, trazendo dor e sofrimento. Broken Bones chega com menos raiva, mas ainda trás aquele peso de que é difícil - quase impossível - ser completamente feliz com o mundo que estamos vivendo... e esse sentimento perdura todo o álbum, essa música tem umas das partes mais lindas do disco, um dos momentos em que o Roger parece que coloca pra fora, em poucos segundos, sua raiva do mundo. E quando chegamos à faixa que intitula o album, Is this the life we really want?, temos um pronunciamento de Donald Trump logo no início, e isso já dá um indício sobre o que a música vai trazer; ele nos lembra de que temos culpa de tudo o que acontece em nossos espaços, pois vivemos numa democracia, então nossa opinião importa, e se não importa - caso do Brasil (?) - é nossa culpa também. Passamos para Bird in a Gale, em que ele trás a dor cotidiana, o caos; música anterior instaura o caos no disco, e essa música é um compilado de material de arquivo, várias vozes de jornais tomam conta da música antes de Waters começar a cantar, e o caos é visível na mudança do peso dos instrumentos e na raiva da voz. Então vem The Most Beautiful Girl, e se você acha que a música é amor... não, nada aqui é amor, alias, acho que é amor demais pela humanidade, e tristeza extrema de como o mundo está hoje em dia. Smell The Roses chega trazendo uma releitura de como vivemos com medo por conta do caminho que demos ao mundo; a importância do dinheiro, da guerra, do mundo negativo que criamos. Essa música é talvez uma das que mais relembrem Pink Floyd, foda! Mas aí temos Wait For Her que anuncia o começo do fim do album, uma música muito bonita, calma, relembrando que o mundo tem partes a qual vale a pena viver; a simplicidade das coisas que ele retrata nessa música é tão bonita e gostosa... trás paz no coração, mas eu sinto ser uma paz de alguém que sofreu muito. Oceans Apart, é uma continuação da música anterior... mantém a paz e a tranquilidade de alguém que sabe os problemas do mundo, mas que tenta seguir em frente. E o mesmo acontece em Part of Me Died, uma música profundamente triste, mas que fala de redenção. Ele retrata - novamente - atrocidades feitas pelo ser humano e como tudo isso dói muito, mas a redenção dele chega quando "ela" chega, e essa parte horrível dele morre.

A intenção não era escrever música por música, mas fica completamente inviável explicar o album todo sem entender como cada música leva a um pensamento... Roger Waters já foi um cara muito babaca, e ele assume isso. Ele e o Gilmour brigaram muito na época do Pink Floyd, e até hoje não se dão muito bem. Porém, Waters teve grandes momentos pedindo desculpas pela pessoa que ele fora, e eu acho isso um amadurecimento incrível. Além do mais, como dá para perceber nesse álbum, ele é MUITO político. A política é algo muito importante para ele, e essas músicas trazem definitivamente o que estamos vivendo hoje, podemos entender todas essas atrocidades que estamos vivendo através dele... Ele é aquele retrato social, sabe? Eu o indicaria para entender um pouco do que passamos na década de 10 do segundo milênio.

Como mencionei acima, o álbum parece que não divide as músicas, elas seguem uma linha de pensamento ótima e muito interessante de se ouvir; eu, fã número um do botão "aleatório", desativo este e escuto o álbum certinho, do início ao fim. Além do mais, o Roger Waters trabalha com o progressivo, e é um estilo musical que eu descobri gostar muito, mesmo não sabendo que "aquilo que estava ouvindo" era progressivo... afinal, como já disse, não sou das mais letradas em música (mas pretendo caminhar para tal). No geral, é um trabalho incrível, uma profundidade dura, amarga e poética. Você precisa ouvir assim que eu acabar esse texto, ok? Então vai lá, porque acabou.

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