Talvez seja arte ser gordo - A ótica de Erwin Wurm sobre o corpo

Fat House | Foto: Jesse Willems
No CCBB do Rio de Janeiro está aberta exposição O CORPO É CASA do Artista Plástico ERWIN WURM até o dia 08 de Janeiro de 2018. Eu visitei a exposição e ela me tocou muito, por isso, trago este texto sobre a principal frase que me tocou:
Maybe is it art to be fat.
Essas palavras sairam da boca da casa gorda, uma das obras que Erwin produz para criticar a sociedade de consumo. Tal discurso é feito internamente à casa ilustrada acima, em que o vídeo de 9 minutos fala sobre a discussão existencial de uma casa dentro de uma exposição de arte e o fato dela ser gorda. Um discurso muito muito interessante e que pode ser entendido em diversas camadas. 
[...] O artista inglês Antony Gormley, uma vez, disse que a verdadeira materia prima  da escultura é a energia, o calor necessário para modificar um material até que ele chegue ao estado de arte. Metaforicamente, pode-se entender que a mesma energia que esculpe um bronze ou um ferro é a energia que esculpe os corpos. A caloria que nos faz ganhar ou perder peso é a mesma força que briga com as formas da escultura. Você é o escultor do seu corpo; corpo é obra, obra é corpo. [...]
Esse trecho do texto que permeia a exposição, escrito pelo curador Marcello Dantas, trás para nós um complemento dessas obras do Erwin, pois as obras da exposição são muito conectadas ao mundo humano, ressignificando-o como objetos ou vice-versa. Desta forma, tal discurso da casa gorda nos permite refletir sobre os padrões sociais e como eles nos fecham para aqueles que destoam, encarando-os com um olhar de estranheza.



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Quando assisti ao curta dos questionamentos da casa, tive a oportunidade vê-lo 2 vezes em sequência. Desta forma, pude observar as pessoas nos arredores e como elas se relacionavam com o filme. Uma das pessoas próximas de mim era uma mulher gorda; e ela estava o tempo todo atenta à narrativa. Quando os questionamentos sobre a casa ser gorda ser errado, percebi um recuo dela, porém, o sorriso impagável quando esta leu "talvez seja arte ser gordo" foi uma experiência única. Aquela frase que gera empoderamento às pessoas que sofrem diariamente com a gordofobia é muito forte. É interessante também perceber como essa frase ocorre, pois ela não vem de um discurso de empoderamento de alguém que luta por aquilo, mas como uma narrativa inocente, de alguém questionando sua existência. Desta forma, vê-se a frase empoderadora tomar uma força diferente, inocente porém em nenhum momento fraca, visto que soa natural - como efetivamente deve ser - e reflexiva.

Essa conclusão a qual a casa gorda chega é extremamente importante para os movimentos sociais em prol do seu corpo é seu e você faz dele o que te faz feliz, pois é uma luta diária contra a maré padronizada de """pró-saúde""" que sempre vivemos e, com as redes sociais, obviamente só aumentou. O ponto positivo do mundo de hoje é que esse discurso de resistência também encontrou apoio nas redes pois permitiu que muitas pessoas se unissem. Mas ok, não estamos aqui para falar de redes e contemporaneidade. rs

Me conectar com essa exposição foi extremamente forte para mim, pois me trouxe reflexões desconfortantes e em físicas, mas talvez o ápice dela se deu assim, logo no início, quando presenciei a crise de existência de um ser inanimado que é pressionado e sofre por isso. Me identifiquei com esse ser, tentando se encaixar em rótulos e chegando à conclusão que era muito maior que aquilo tudo, e que ele poderia ser quem ele quisesse, ainda que isso fosse difícil.

O vídeo abaixo não tem legenda em PT-BR, mas a legenda automática do google funciona muito bem nesse caso, assistam!


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