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Léa não me respondeu essa noite


Léa não me respondeu nesta noite. Quando fechei meus olhos as imagens perturbadoras que invadiram não me deixaram dormir, Léa não me respondeu nesta noite. E mesmo quando desisti de continuar repousado, pois meu corpo agitado desejava correr – ou parar de doer –, Léa não me respondeu nesta noite. Meu peito doeu e por um instante eu pude jurar que jamais conseguiria respirar novamente, a angústia me corroeu por dentro e fez o ar sorvido com aflição queimar meus pulmões. Léa, oh Léa.

Um par devastado pela destruição do fogo e a terra cinzenta que restara eram seus olhos, não mais castanhos brilhantes como o sol visto através de um filme fotográfico. Léa era louca de cabelos desgrenhados e sorriso de criança, Léa não é mais nada além de carne morta, carne podre e fedorenta. Léa sorriu para mim uma vez, com aquela grande boca carnosa, eu desconfio que aquele sorriso tinha luz própria, mas seus lábios presos pelo lenço azul-violáceo jamais fizeram essa curva novamente, sabia que lábios marrons ficam cinzas quando pertencem a uma pessoa morta? Léa não...

Olhei pela janela, o escuro da noite mostrou meu reflexo através do vidro e do que vi só posso dizer que, de certa forma, não estava mais lá. Neste momento tive certeza de que nada me colocaria nos eixos novamente, pois Léa não me respondeu nesta noite. A certeza sobre seu sofrimento, a mais vaga noção do terror que consumiu todo seu corpo e a dor, a dor de saber que a tênue linha de sua vida estava prestes a ser rompida de maneira impiedosa. Léa. Léa que sentiu seu corpo sendo violado. Léa que fora feita em pedaços. Estes sendo devorado pela terra que lhe roubara a forma. Por isso Léa não me respondeu essa noite.

ESCRITO POR LARIH BATHORY

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