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Deixa eu te apresentar, Animação


Animação. Substantivo feminino. Ação ou efeito de dar alma ou vida a alguma coisa. Muito associado ao público infantil e ao estúdio Walt Disney Animation. Também procurada pelas séries de desenhos animados americanos e japoneses. Erroneamente classificado como um gênero cinematográfico. 

Não, animação não é um gênero, mas sim um formato cinematográfico. Ela é uma forma de fazer cinema, onde dentro dela há vários outros sub-formatos e gêneros. Na verdade, linguisticamente, tecnicamente, esteticamente, a animação na sua forma mais expressiva é autônoma. “Como assim?” Você pode se perguntar. Diferente do seu irmão, o cinema real (termo utilizado em Portugal, para cinema live-action que resolvi aderir), na produção da animação há um controle quase que absoluto, visto que ela é feita quadro a quadro, possibilitando um leque de criação maior e independente de agentes externos. A animação não dá margem ao acaso, todo o processo é construído do zero, uma folha não cai ao fundo sem que alguém tenha feito ela cair. O formato animado resume-se em dar vida e movimento à alguma coisa e não captura a vida e o movimento já existente.

 Quais seriam os sub-formatos da animação falados anteriormente? O mais comum e popular é o formato chamado de animação tradicional, uma animação bidimensional que consiste em desenhar cada frame de cada movimento de cada cena. Como exemplo temos quase toda a animação japonesa, principalmente o estúdio Ghibli e os filmes até os anos 2000 da Disney, além da maioria dos desenhos animados. E dentro da animação tradicional há a vertente da rotoscopia, que desenha quadro a quadro de uma filmagem existente. Branca de Neve e Os Setes Anões (1938) foi feita em partes dessa forma.


Outro que já tomou o mercado é a animação 3D. Não, não é aquele efeito o que faz a imagem sair da tela, mas sim uma imagem tridimensional computadorizada. Onde a animação é feita digitalmente, utilizando o sistema rigging (o movimento é feito a partir de uma simulação óssea do personagem – resumidamente, após a modelagem do boneco/objeto é colocado um esqueleto dentro dele que obedeça aos comandos de movimentação).  Ela está presente na maioria dos vídeos games atuais e nas animações do Studio Pixar, além de ser utilizado em filmes “blockbusters”, principalmente de super-heróis. 

Há também o motion graphic e animações 2D (bidimensional) computadorizada (também chamada de animação vetorial ou flash aniamtion). É como se fosse um hibrido entre os dois sub-formatos falados acima. Depois de feito a peça gráfica, ou personagem/objeto, a sua movimentação é dada por um comando no computador (ou, até mesmo, é feito o próprio sistema rigging sobre essa a imagem 2D – porém ainda está bem recente no mercado). Boa parte das publicidades utilizam o motion graphic e alguns desenhos animados misturam a animação 2D com a tradicional. 

Tem também o stopmotion e a pixelização. O primeiro é feito com bonecos originalmente construídos e o segundo com pessoa/objetos reais já existentes, mas ambas são baseadas em uma movimentação feita a partir de fotos tiradas frame a frame. Uma das animações mais antigas e bastante utilizada no começo do cinema real, como os primeiros efeitos especiais. O Aardman Animations é um estúdio bastante popular que utiliza esse tipo de técnica, um filme de exemplo é A Fuga das Galinhas (2000).  

Outra que já não é tão utilizada como antigamente é a animação de sombras/silhuetas (também conhecida como sombras chinesas). Como o próprio nome já sugere, é uma animação que trabalha a articulação das sombras. Ela é normalmente feita com recortes de papeis escuros sobre uma tela de luz. A animadora mais famosa e pioneira por essa técnica é a Lotter Reiniger. A animação de recortes também é feita de forma bem parecida, só mais complexa, visto que ela trabalha com imagens e não só sombras. South Park pode ser considerada uma animação de recortes digitalizada.
Esses foram alguns tipos de animações que existem, um exemplo para a diversidade de técnicas e possibilidades que o formato animado oferece. Uma pequena introdução sobre esse teme que é colocado de lado dentro do cinema, mas que tem muito a oferecer.


Por favor, sinta-se livre para corrigir, perguntar ou sugerir qualquer coisa nos comentários.


Referências:

Esse texto foi baseado parte pelo que eu aprendi no curso de produção e história da animação em Lisboa, parte pelo meu consumo de animação e pelas minhas pesquisas avulsas na internet.  

Há também livros que eu consultei diretamente para esse poste: BENDAZZI, Giannalberto. Cartoons: One hundred years of cinema animation. Indiana, Indiana University Press, 1994 | WILLIAMS, Richard. The Animator’s Survival Kit. New York, Farrar, Straus and Giroux, 2001. | LAYBOURNE, Kit. The Animation Book: A Complete Guide to Animated Filmmaking--From Flip-Books to Sound Cartoons to 3- D Animation. New York, Three Rivers Press, 1998




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