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Eu não vim de Sacramento como a Lady Bird, mas quase isso

- Você não é do Rio, né?
- Não, sou do interioR de São Paulo.
- De que cidade?
- Jaboticabal, uma cidade bem pequena...
- Não conheço.
- Não precisa.

A maior raiva de Lady Bird era a cidade dela. Uma adolescente incompreendida na cidade que vivia desde pequena. Sei bem. Não me identifico com a personalidade dela na questão de adolescente chata que vai no flow das outras pessoas... sempre tive personalidade demais para isso (UI! Mas pior que é sério rs). Mas com certeza me afeiçoo com a personalidade dela que vai para as artes, o carinha que ela gostava ser gay (te amo Mah!), a melhor amiga dela ser REALMENTE a melhor amiga de todas, e todas essas milhões de coisas que nós sentimos na adolescência... Acho que todo mundo é meio igual nessa fase... e até quando nos tornamos adultos, mas isso é outro texto.

Porém, sua relação com Sacramento é muito interessante... porque a minha relação com Jaboticabal também é. Eu não quero, nem vou e nem tenho como voltar para lá, visto que minha família veio para cá, porém, quando eu olho ao meu redor, eu ainda me sinto uma turista, uma estrangeira daquele local que é minha casa a 5 anos. Pois é, eu estou no Rio à 5 anos. Isso é profundamente assustador, visto que nunca olhei para cá como um lugar que ficaria tanto assim... não sei ao certo se vivo ou se sobrevivo no Rio. Sei que aqui eu tive muitas felicidades - várias tristezas também, mas foquemos nas felicidades -, mas foram as pessoas que proporcionaram isso, não o local... e isso é estranho.

Muitas vezes a palavra estranho está no texto, mas talvez isso seja a única coisa que não seja estranha aqui, rs, já que ela sintetiza todos os meus sentimentos desconexos dentro dessa cidade que supostamente é maravilhosa, mas na verdade não é tanto assim não. Contudo, nos atentando à Jaboticabal, eu devo dizer que sinto falta de me sentir em casa. De olhar ao meu redor e ver uma realidade que eu me acostumei tanto que eu só permeio sobre ela... que eu olho e as vezes nem vejo mais. Não concordo muito bem com essa última parte se isso acontecesse sempre (porque aí é desinteresse), mas acho que as vezes saber onde está tudo, para entrar bebada em casa e não acordar ninguém mesmo de olhos fechados é uma sensação de aconchego de lar. 

Eu amo minha casa, eu amo minha família, mas... aquela cidade me proporcionou tudo o que eu sou hoje, e, ainda que ela não tenha absolutamente NADA de especial... ela me permitiu viver toda a minha infância e tediosa adolescência com pessoas ótimas e, principalmente, com as minhas melhores amigas da vida. A praça que nós cantávamos nos sábados e domingos de tarde, não existe mais. Assim como as nossas garrafas de vinho já foram recicladas (eu espero). Nada existe mais daquela época, exceto as nossas memórias. E... é muito estranho não ter mais para onde voltar. 

Acredito que eu vou sempre ter esse olhar de estrangeira por onde eu passar... que olhar pela janela do ônibus e ver o Rio vai sempre me maravilhar, ou ver a entrada de São Paulo sempre terá um glamour e uma animação particular, ou qualquer outro lugar que eu vá, eu vou sempre olhar com os olhos de uma criança conhecendo o mundo... e vou sempre lembrar que o único lugar que eu não faria isso, que eu conheceria tudo... eu nunca mais vou retornar. Jaboticabal é uma memória para mim. É uma lembrança da Shay que queria ganhar o mundo. Da Shay antes de se autonomear Shay, e antes de todos acharem que Esterian é realmente o meu sobrenome. Porque antes disso, eu era Shayen, e meu apelido era só Sha... que, até hoje, quando me chamam assim, meu coração aquece um tiquin. Esse ano é a o primeiro ano, em 5, que me deu saudade de Jaboticabal. Eu nunca voltaria para lá... mas não significa que eu não sinta falta...

Estrada de Jaboticabal, por uma Fisheye 2 Lomography e um filme zoado

- Como você se chama?
- Shay.
- Shay mesmo?
- É.





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