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Ser mãe e frequentar a universidade


Primeiramente, se este texto chegar à esta mãe com este filho, saiba que você inspirou muita gente com esse seu ato pessoal, forte e político. Uma mãe que frequenta a faculdade é um ato extremamente potente frente a este universo machista que vivemos. Entrar com seu filho dentro de uma sala de aula é um ato poderosíssimo e que exige muita coragem, e parabéns, você foi e é incrível.

Essa foto é de uma mulher específica, mas meu texto não é sobre ela, até porque não a conheço. Ele é sobre a situação das mães dentro do mundo e, neste recorte, dentro da universidade. Para quem já acompanha meus textos, sabe que o assunto de maternidade é algo que me gera muitas inquietações, e que estou produzindo um filme com esse tema. Logo, uma cena como esta me gerou muitos assuntos que dividirei agora.

Todos os casos de crianças dentro de salas de aula foram registrado com suas mães, e nenhum dos que eu tenho conhecimento tiveram o pai como responsável do filho. Isso é mais um reflexo de como as mulheres sofrem pelo excesso de responsabilidade sobre a criança. A chance de uma mulher grávida ou com um filho pequeno continuar os estudos é muito pequena, e isso não é culpa da falta de vontade, mas culpa da sociedade que não proporciona um espaço válido para esse grupo. Criança é linda calada, se chora já incomoda. A mãe não pode sair, a mãe não pode viajar, a mãe não pode fazer nada, precisa ficar enfurnada dentro de casa até que a criança pare de incomodar o mundo. É absurdo você restringir a vida de alguém por conta de uma criança, CRIANÇA. A sociedade não é ensinada a aceitar as crianças, desde sempre elas foram vistas com más olhos - vide o fato de sempre ficarem com as babás, porque incomodam -, e a mãe é obrigada a ser julgada e ver seu filho julgado por um mundo que já teve aquela idade mas não tem interesse algum em compreender o próximo.




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Além disso, fico me perguntando se a aceitação de crianças e bebês em salas de aula é maior por parte de professoras mulheres que homens, e, apesar de eu não ter dado algum, acredito que meu palpite está correto, vide o professor da UFRN que proibiu a aluna de assistir aula com a filha.

A professor graduado e mestre em Ciências Sociais (UFRN), doutor (Universidade de Paris René Descartes) e pós-doutor em sociologia (UFRJ) Alípio Sousa Filho proibiu uma aluna de assistir às suas aulas porque ela estava acompanhada da filha de cinco anos. A estudante Waleska Maria Lopes trabalha de manhã e de tarde e não tem com quem deixar a criança na hora que vai para a universidade, à noite. Alípio alega que a presença da menina traz prejuízos à aula.
“Ela encontre uma rede de solidariedade para cuidar da criança. Não consegue essa rede de solidariedade? Repense sua vida. Não tem que estar fazendo Ciências Sociais, não tem que estar estudando na universidade. Você só faz isso se tiver condições. Agora não vai impôr à instituição coisas que não são assimiladas pela instituição (…) 'ah, eu sou pobre, não tenho'. Problema seu, a universidade não tem problema com isso, se vire” disse Alípio.

Após esse tipo de posicionamento por parte de um professor de SOCIOLOGIA, nós mulheres sabemos que não podemos contar com homem algum... não 100%, e tudo o que nos resta é a sororidade (que nem é tanto assim ainda) para que possamos seguir nossos dias e conseguir alcançar os nossos sonhos. A verdade é que praticamente nenhum homem sabe exatamente o que é ter um filho para criar, não porque nós mulheres somos seres divinos que temos o dom magnífico de dar à luz, mas sim porque existe uma construção social que tira dos homens essa responsabilidade. Somos vítimas o tempo todo de pessoas que não compreendem a nossa situação e ainda nos fazem repensar todo nosso trajeto e nos culparmos por decisões supostamente ruins.

Não existe glamour na maternidade quando se é classe média, quando não se tem dinheiro para esconder do mundo e de si mesmo as dificuldades de se ter um filho. Ser mãe é lembrar diariamente e a todo o instante que sua vida acabou e que agora só existe a vida do seu filho. É não ter mais o direito de sonhar e, mais ainda, concretizar sonhos. É se sentir fracassada quando vive apenas para o filho ou quando dedica-se à sua própria vida. Eu tenho horror a este universo que nos lembra diariamente que ser mulher é uma dor, e que o tempo todo a nossa vida pode acabar, porque ela não vale tanto assim.

À todas as mães e mulheres, não desistam e sigam em frente. Precisamos de todas nós unidas. Nós podemos conquistar o mundo e não podemos deixar que nos façam acreditar o contrário.






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