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Relatos sobre a direção de um processo fílmico

O processo de se fazer um filme é, no mínimo, complicado. Quando se trata de um projeto autoral então, ele se torna algo tão introspectivo que a cada fim de dia de dedicação ao projeto é como se saíssemos de uma sessão de terapia. Revivemos memórias, emoções, e nem sempre são coisas que desejamos ou que temos estrutura para sustentar. Hoje eu li uma frase que me chamou a atenção, é muita coragem olhar para dentro de si. Acredito que o momento para essa frase não poderia ser mais oportuno, visto todo esse processo de pré-produção para o meu primeiro filme está tão intenso, e ele trata tanto de mim que nem sei bem descrever.

Existem alguns projetos que estão em alguma parte da pré-produção comigo, mas escolhi esse para ser o primeiro. Posterguei o máximo que pude... mentira, me fizeram postergar. A faculdade, mas principalmente o trabalho, me fizeram deixá-lo sempre em segundo plano. Eis que a hora dele chegou e é um tanto estranho pensar que absolutamente tudo que estou consumindo e escrevendo hoje é para ele. Decidi que a linguagem que eu trabalharia seria a Carta, e todo o material vem de material de arquivo. Saída fácil? Nem um pouco. O motivo por eu afirmar isso com certeza vem do fato de que é um filme feito quase que inteiramente por mim, e eu preciso ter muito cuidado para não cair em uma narrativa egocentrista. Na verdade, tenho medo e me esforço muito para trabalhar esse filme feito de memórias minhas de um modo que eu consiga puxar o espectador pela mão e levá-lo à toda essa narrativa.

Separando as fotos eu já vejo as ligações entre elas e que muito dizem sobre a personagem protagonista do filme, meu avô. Sua personalidade e seus valores estão registrados naquelas imagens e sinto uma grande dúvida se eu preciso necessariamente explicar aquilo que claramente já está sendo dito imageticamente... esse é o mal de se gostar tanto de cinema clássico narrativo. Tenho colocado no papel aquilo que muito quero dizer, mas que ainda não sei se vou. Coloco e tiro coisas da montagem mental que faço diariamente do filme. O que é um diretor sem um montador mental?

Decidi parar um pouco porque queria compartilhar desse processo com alguém, de alguma forma. As vezes sentimos tanta necessidade de falar sobre o nosso processo, não por ego, mas para colocar pra fora tudo o que pensamos e sentimentos no meio de tantas coisas a serem feitas. Acho que as pessoas não entendem muito bem tudo o que se passa em nossas mentes para podermos tomar tantas decisões. Sinto que o trabalho da direção é grande parte introspectivo, conversando com os nossos inúmeros eu-líricos se aquele plano está bom, se aquela decisão é boa, se devemos fazer mais um take, se deixamos passar algo... somos reféns dos nossos olhos e da nossa cabeça.

Acho que paro por aqui, hoje. Vou esfriar um pouco a cabeça, para conseguir me dedicar de novo em breve. Esse projeto depende inteiramente de mim e meu prazo é curto. Talvez eu traga novas atualizações do processo, vamos ver...




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